IMAGEM E CULTURA IMATERIAL

Fernando Fogliano
fernandofogliano@gmail.com

 

Resumo: A linguagem certamente é o elemento propulsor da cultura humana. Toda a diferença entre estilos de vida, artefatos, ferramentas e complexidade dos conceitos que orientam nossas decisões deve-se, fundamentalmente, à emergência da cultura que impregna o ambiente ao nosso redor. A reflexão sobre o fazer e o usufruir dos produtos culturais encontra alternativa no âmbito dos recentes estudos sobre a linguagem. O aspecto fundamental na produção das linguagens é a experiência decorrente de nossas interações. Essa abordagem permitirá distinguir dois conceitos que normalmente se confundem: informação e comunicação. Isto possibilita considerar o fato de que enquanto uma se desmaterializa, a outra demanda por nova e diversa materialidade.

Palavras chave: cultura, materialidade, linguagem, fotografia digital.

 

A aceleração da cultura

Não é possível considerar a produção contemporânea de imagens, as tecnologias de sua gênese e disseminação sem o cuidado de analisar os aspectos evolutivos dos processos que a precedem. Porém, antes que se possa dar início a esta análise, temos de ter em mente o ritmo
acelerado em que se dão essas transformações. Não há quem hoje não se dê conta do quanto as transformações sociais, tecnológicas e culturais ocorrem num ritmo de quase vertiginosa velocidade. Este fenômeno está longe de ser um fenômeno subjetivo ou aparente. Pettersson
(1995), em seu livro Complexity and Evolution, nos permite perceber o caráter objetivo da aceleração na evolução da espécie humana, bem como a imbricação entre evolução de nossas histórias biológica e cultural.

É possível, à luz das teorias da Complexidade, considerar a aceleração como um aspecto inerente à evolução dos sistemas em sua trajetória rumo à complexidade. O Fluxo, que Holland (1995, p.23) descreve como uma das propriedades dos Sistemas Complexos e Adaptativos, é um dos aspectos relevantes para o entendimento da aceleração nos processos evolutivos. Uma importante propriedade do Fluxo é o seu “efeito multiplicador” que se apresenta pelo paralelismo nas ações dos agentes sistêmicos. Esse efeito é tanto maior quanto maior for a complexidade do sistema. Isto implica dizer que, paralelismo e número de agentes componentes de um dado sistema são parâmetros acoplados. Na evolução de um sistema complexo, qualquer que seja sua natureza, cresce o número e a diversidade de seus agentes componentes. O decorrente aumento no paralelismo provoca o crescimento exponencial de suas necessidades por recursos como informação, bens, materiais, mensagens, etc.. Exemplo emblemático do Fluxo nos sistemas complexos é o cérebro. Embora o tempo de reação de
um neurônio seja da ordem de dezenas de milissegundos, a capacidade de processamento do cérebro é cerca de quatro mil vezes maior1 do que a de um moderno microprocessador, capaz de processar informações numa escala de tempo mil vezes menor. A partir do conceito
de Fluxo podemos compreender o porquê dessa velocidade de processamento. O paralelismo é o aspecto subjacente à velocidade e eficiência do cérebro. Esta pode ser entendida como uma demanda apresentada pelo paralelismo. A mielina, substância que permite acelerar a
velocidade de um impulso nervoso, pode ser então entendida como uma solução do “design evolutivo” do sistema nervoso para atender à necessidade por maior velocidade.

É possível também, através de um viés filosófico, considerar a questão da aceleração dos processos culturais a partir do conceito de Cosmomorfismo. Segundo Vieira (2007), Peirce considerava haver continuidade entre os domínios físico e mental. Isto implica estabelecer uma equação onde, de um lado está o Realismo Objetivista, e de outro o Subjetivismo. Realismo Objetivista é aquele em que se considera que das Leis da Física derivam todas as demais. Já no Subjetivismo, são as leis da Psicologia as fundamentais e todas as demais derivadas, inclusive as da Física. O ponto de vista dado pelo do Cosmomorfismo permite-nos considerar que o real manifesta-se no mental da mesma forma que, simetricamente, o mental manifesta-se no real. Sinteticamente dito, o universo está em nós. É por esta razão que se pode justificar como podemos superar limites perceptivos e nos fazer valer da “complexidade herdada” para elaborar aspectos do Universo fora de nossa percepção e tecnologias (idem Vieira, 2007).

Normalmente dizemos que, quando alguém usa uma metáfora associando uma qualidade ou comportamento humano ao Universo, fazemos antropomorfismo. O que foi proposto por Pierce é que, como evoluímos do Universo, como somos permitidos por ele, herdamos sua complexidade e suas características básicas. Ou seja, é o Universo que está em nós, com suas qualidades e comportamentos. Vieira (2007, p. 31).

A Cosmologia nos permitiu perceber, no final do século passado, que o universo está em expansão acelerada. Partindo desta constatação, podemos considerar que a fluidez das dinâmicas culturais da modernidade a que se refere Bauman (2001) é uma consequência do
princípio cosmomórfico. A expansão da cultura não é nova, o que não tínhamos experimentado até agora era a vertiginosa velocidade das dinâmicas culturais. A evolução da cultura reflete a evolução do universo em acelerada expansão rumo à complexidade.

Essas são razões para considerar a “fluidez” ou “liquidez” como metáforas adequadas quando queremos captar a natureza da presente fase, nova de muitas maneiras, na história da modernidade. Concordo prontamente que tal proposição deve fazer vacilar quem transita à vontade no “discurso da modernidade” e está familiarizado com o vocabulário usado normalmente para narrar a história moderna. Mas a modernidade não foi um processo de “liquefação” desde o começo? Em, outras palavras, a modernidade não foi fluída desde sua concepção? (Bauman, 2001; p. 9).

Vieira (idem) debita ao cosmomorfismo a nossa capacidade de elaboração do real e do “pensar fora da caixa”. É por conta desta capacidade que podemos imaginar traços da complexidade cósmica que logramos ampliar as possibilidades da Tecnologia e a expansão da Cultura. Esse aumento de complexidade implica em maior paralelismo e consequentemente na demanda por maior velocidade no processamento dos inúmeros sistemas que compõem o sistema social e a cultura. O cosmomorfismo é o princípio subjacente à inventividade de nossa cultura e sua aceleração. É ele que indica os caminhos para mantermos novas e mais complexas relações sociais e com a natureza. A “desmaterialização” que podemos observar em vários dos processos de produção cultural desde o surgimento dos computadores e das redes de comunicação pode, a partir do exposto, ser considerada como uma resposta que a inventividade humana produziu para fazer frente ao crescente paralelismo e a demanda por informação que nossas interações com a natureza apresentam.

A evolução das mídias
O instinto2 para a linguagem permitiu a espécie humana desenvolver um cérebro maior, memória expandida, léxicos, capacidade para a fala, complexos sistemas para a representação da realidade. Para realizarmos nossas ações no mundo, desenvolvemos sistemas representacionais simbólicos. Imagens e textos inscritos nos mais diversos suportes constituem o repositório do

 


Fig . 1- Diagrama esquemático de um sistema de comunicação geral (Shannon, 1948).

Clique na imagem para ampliá-la

 

conhecimento da espécie humana, o registro construído e mantido por gerações sucessivas. Tais sistemas simbólicos dependem fundamentalmente de representação externa, uma estratégia cultural para ampliar a memória somática, armazenada em nossos cérebros e corpos.
A depender do grau de desenvolvimento tecnológico da sociedade humana, o suporte para a memória externa utilizado variou ao longo de nossa história evolutiva de paredes rupestres, no paleolítico, aos modernos discos ópticos e às memórias de silício (Fogliano, 2007; p.31).

Kittler (2005, p. 79) ordena cronologicamente a evolução dos meios de comunicação, destacando o fato de que a invenção da escrita introduz o uso de “variáveis físicas”, como instrumentos e superfícies. São estas variáveis que passam a determinar a estrutura espacial e temporal da comunicação. A imprensa, um estágio importante da evolução da escrita, “potencializava a capacidade de processamento de dados dos livros” (idem, p.85). Certamente porque livros produzidos em série garantiram paralelismo no consumo das informações neles contidas. Ao descrever as “mídias técnicas”, o autor destaca uma mudança na estrutura física das mensagens que passam a fazer uso de “processos físicos que são mais rápidos do que a percepção humana e que só são suscetíveis de formulação no código da matemática” (idem, p.89), aumentando a velocidade na disseminação da informação. O surgimento desses processos marca a desmaterialização da informação na medida em que passam a utilizar luz e som na codificação das mensagens. Posteriormente, já no século XIX, avanços na Física tornaram possível o uso de impulsos elétricos. O rádio e a televisão viabilizaram a transmissão de informação à velocidade da luz e um enorme paralelismo no processo de comunicação, permitindo que grandes massas pudessem receber simultaneamente toda sorte de mensagens. Esse processo de massificação e paralelismo tem sua escala enormemente ampliada com o surgimento das tecnologias digitais, com o emprego dos computadores e das redes digitais de comunicação como a Internet. Todo o processo evolutivo caracterizado pela desmaterialização da informação e o paralelismo dos processos de comunicação atende à necessidade de manter-se a estrutura e organização da sociedade humana na busca do estabelecimento de coerência interna na representação e comportamento nos seus múltiplos e variados grupos.

Informação e linguagem

Os processos culturais, suas dinâmicas e sua aparente desmaterialização, demandam por um melhor entendimento de conceitos que são próximos, mas que não podem ser, embora comumente o sejam, confundidos: informação e comunicação. Segundo a teoria matemática da informação de Shannon (1948) um sistema de comunicação é constituído por emissor, transmissor, canal, receptor e destino, conforme mostra a figura acima. Esta definição, no entanto, tem no contexto de sua formulação uma simplificação da maior importância no contexto de nossa reflexão:

O problema fundamental da comunicação é o de reproduzir num ponto exata ou aproximadamente uma mensagem produzida em outro. Frequentemente as mensagens têm um significado que faz referência ou está correlacionado a algum sistema com certas entidades físicas ou conceituais. Estes aspectos semânticos da comunicação são irrelevantes para o problema da engenharia (Shannon, 1948).

A simplificação proposta por Shannon, ao desconsiderar os aspectos semânticos da comunicação, certamente não é adequada para se considerar os problemas da cultura. O motivo para esta inadequação pode ser encontrado na idéias de Robertson (1999), quando assinala a diferença entre a interpretação de mensagens realizada por máquinas e por seres humanos:

A matemática possui precisamente esta propriedade (num sentido muito geral) de ser capaz de focalizar a informação, de rearranjar a informação de forma que possa ser útil. Porém, nem as lentes nem as operações da matemática podem criar informação (Robertson, 1999; p. 30).

Shannon desprezou o aspecto experiencial das mensagens, seu papel multiplicador. A mente humana, ao contrário das máquinas, é capaz de criar informação. Através da linguagem, não somente podemos interpretar seu conteúdo, como podemos ampliar seu significado.

A linguagem é uma invenção com a qual podemos, imersos na cultura, dar sentido às nossas experiências mundanas além de comunicá-las aos nossos pares. Podemos definir linguagem como toda forma de engajamento que fazemos com o ambiente (Johnson, 2007; p. 210).
Nossos sistemas de pensamento e linguagem abstratos e metafóricos se formam a partir dos processos interativos realizados no cotidiano, e constituem a base para a produção do conhecimento. A metáfora é o mecanismo subjacente ao sentido que atribuímos às nossas
experiências. O corpo em sua interação com o meio abre caminho para na produção de sentido de nossas experiências, e a metáfora constitui o mecanismo cognitivo dessa produção (Fogliano e Camargo, 2010).

Através das metáforas, somos capazes de estabelecer mapeamentos conceituais novos, ampliando padrões de inferência em mapeamentos existentes, logrando expandir seus significados. Este é o mecanismo que permite o “pensar fora da caixa” a que nos referimos no início. Essa expansão é a mola propulsora para a evolução da cultura e da mente consciente, e implica no aumento da sensibilidade do olhar, de sermos capazes de perceber, antes imperceptíveis, sutilezas da realidade.

A interação com o meio demanda por mediação, por ferramentas materiais através das quais experienciamos a realidade e a ela damos sentido. Isto implica dizer que, embora possamos tornar a informação quase que imaterial, a produção de significado demanda pela concretude
da experiência corpórea e interativa com o meio. O corpo está no centro desse processo que culmina com a emergência da consciência, do conhecimento e da cultura.

O paradoxo da imagem digital

Muitas das discussões sobre a fotografia contemporânea versam sobre sua desmaterialização, principalmente depois do surgimento das tecnologias digitais. Contudo, uma reflexão um pouco mais cuidadosa nos permitirá concluir que, sob alguns aspectos, a fotografia, que nos últimas décadas passou por inúmeras transformações, em nada mudou, embora tenha se tornado mais complexa. Vamos resolver este paradoxo considerando dois aspectos da imagem fotográfica digital: a fotografia e o fotográfico. A fotografia é o termo que será utilizado para denotar o objeto que dá suporte à mensagem visual, o fotográfico.

Com essa distinção será possível desacoplar a informação que a imagem contém de sua leitura, ou seja, a fotografia do fotográfico. Em assim procedendo, veremos que o que mais sofreu transformações com o avanço das tecnologias foi a fotografia e não o fotográfico. As novas tecnologias deram à fotografia novas possibilidades de armazenagem e transmissão, que agora podem ser reduzidíssimas, tanto no que se refere ao tempo, quando ao espaço. As tecnologias para produção se multiplicaram a ponto de termos visto surgir inúmeros novos aparatos para sua produção e visualização e disseminação. As fotografias se multiplicaram astronomicamente com o surgimento das tecnologias digitais. Contudo não se pode perder de vista que essa revolução afetou primordialmente o modo de produção, manipulação e transmissão da informação contida nas imagens.

O fotográfico com o advento da fotografia digital não mudou. Manovich (1995) vai dizer o seguinte a esse respeito: “o filme pode desaparecer – mas não o cinema”. O que se observa com o surgimento das tecnologias digitais é a diversificação dos suportes, de novas ferramentas para visualização e interação. Essas ferramentas demandam por novas materialidades criando alternativas para novas possibilidades interativas. A conseqüência desse crescimento expansivo é, portanto, a emergência de antes inexistentes possibilidades experimentais, ensejando o surgimento de novas vertentes para a linguagem fotográfica. Esta, como a cultura está em expansão.

Comentários finais

Com a possibilidade de considerarmos a criação de informação decorrente de nossas interações com o ambiente e da estratégia comunicativa e cognitiva que a linguagem apresenta, abre-se uma perspectiva para o entendimento da questão da desmaterialização da cultura. De fato, sob o aspecto da informação, nota-se que esta ficou reduzida ao fluxo de elétrons e fótons. No contexto dos Sistemas Complexos este fato pode ser considerado até mesmo previsível. Por outro lado, ao considerar a Cultura e sua expansão vertiginosa, observa-se um movimento no sentido oposto, o da materialidade. Esta, com o avanço das tecnologias, torna-se mais diversa e complexa demandando por novos materiais e ferramentas interativas. Às paredes, telas e papéis agregam-se agora as telas de vídeo, sistemas de projeção, sistemas de impressão, olhos eletrônicos e sensores capazes de possibilitar a expansão de nosso acervo de ações no meio, nossa sensibilidade, dando-lhes novos significados, estabelecendo novos vínculos com a natureza e com a sociedade humana, em consonância com a complexidade cósmica que nos constitui.

 

Notas:


1 Sobre a capacidade de processamento do cérebro pode ser obtida em: http://library.thinkquest.org/C001501/the_saga/compare.htm

2 O cientista cognitivo Steven Pinker em seu livro Como a mente funciona relata como se apropriou das idéias de Darwin e William James para refletir sobre o “instinto para a linguagem” e escrever outra de suas importantes publicações O instinto para a linguagem. Por uma questão de concisão, não vamos nos aprofundar nesta questão neste texto, sugerindo ao leitor interessado as referidas obras para um maior aprofundamento sobre esta questão.

 

Bibliografia:

BAUMAN, zygmunt. Modernidade Líquida. Rio de Janiero: Jorge zahar Ed., 2001.

FOGLIANO, Fernando. “O Atrator Poético: a arte no estudo do Design de Interação in Estudos em Design. Vol. 15, No. 01, pp. 29-43, 2007.

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SOGABE, Milton e FOGLIANO, Fernando. Mídias e realidade [Texto apresentado no #8-Art – Encontro Internacional de Arte e Tecnologia], Universidade Federal de Brasília, Brasília, 2009.

VIEIRA, Jorge de Albuquerque. Ciência: formas de conhecimento – Arte e Ciência uma visão a partir da Complexidade. Fortaleza: Expressão Gráfica e Editora, 2007.

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