QUEM É BRANCA DIAS NA MONTAGEM DE O SANTO INQUÉRITO PELA COMPANHIA TEATRAL O REI ESTÁ NU?

WHO IS BRANCA DIAS IN ASSEMBLY OF THE “SANTO INQUÉRITO” AT THE TEATHER COMPANY “O REI ESTÁ NU”?

Felipe Martins Paros 1
Rosana Aparecida Pimenta 2

 

Resumo: “O Santo Inquérito” é uma peça teatral que redigida no período de Ditadura no Brasil apresenta perseguição, coibição e torturas física e psicológica. Ambientada no Brasil do Séc. XVIII, conta a história da personagem Branca Dias, neta de judeus, julgada por levantar suspeita de heresia. E, da personagem Padre Bernardo, seu confessor, que motivado por uma perturbadora e inconsciente paixão leva a cabo este Santo Inquérito. Formada por atores profissionais e colaboradores a companhia teatral “O Rei Está Nu” foi idealizada por Fernando Canindé ator e diretor teatral pela Universidade Federal de Ouro Preto (UFOP/MG). A diretora, Rosana Pimenta, é Mestre em Artes, e pesquisadora da Universidade Estadual Paulista (Unesp).

Palavras-chave: Artes Cênicas, Dias Gomes, Teatro Brasileiro.

 

Abstract: “O Santo Inquérito” (The Holy Inquiry) is a theatrical piece written during the dictatorship in Brazil shows harassment, duress and physical and psychological torture. Set in Brazil in the eighteenth century, tells the story of the character Branca Dias, granddaughter of Jews, judged by raising suspicion of heresy. And the character of Father Bernardo, her confessor, who motivated by a disturbing and unconscious passion carries out this Holy Inquiry. Staffed by professional actors and collaborators Theater Company “O Rei Está Nu” (The King Is Naked) was designed by Fernando Canindé theatrical actor and director at the “Universidade Federal de Ouro Preto” (UFOP / MG). The director, Rosana Pimenta, is a Master of Art and Researcher at the “Universidade Estadual Paulista” (Unesp).

Keywords: Performing Arts, Dias Gomes, Brazilian Theater

 

A Companhia Teatral O Rei Está Nu
A Companhia Teatral O Rei Está Nu – OREN é formada por artistas profissionais e colaboradores. Sendo que, Fernando Canindé, Ator e Diretor Teatral pela Universidade Federal de Ouro Preto – UFOP é o idealizador desta montagem de “O Santo Inquérito”. Com sede no bairro da Aclimação, em São Paulo a Companhia desenvolve diversos projetos na área cultural com espetáculos infantis e de poesias. A montagem atual se deu a partir de pesquisas desenvolvidas pelos integrantes do grupo com o intuito de homenagear autores brasileiros. A escolha deveria ser de uma peça que os instigasse artisticamente, com magnífica dramaturgia, tema relevante e belos personagens, e “O Santo Inquérito” foi uma escolha unânime. A equipe passou a pesquisar detalhadamente o Brasil do século XVIII, período da trama, e mais especificamente o panorama de João Pessoa (PB), com fotografias de suas igrejas e do Engenho Velho. Foram consultadas diversas histórias populares do imaginário local sobre Branca Dias e notas sobre o Padre Bernardo, bem como a atuação dos jesuítas no nordeste brasileiro, casos julgados pela Inquisição e seus desfechos, cotidiano dos senhores de engenho e seus canaviais de açúcar. Analisaram clima, vegetação, hidrografia e atividade econômica da época, além da ocupação judaica na Paraíba e em Pernambuco. Também fizeram levantamento sobre vestuário e música de viola regional. A partir de então que se fez o convite à Rosana Pimenta, Professora, Atriz e Diretora Teatral, Mestre em Artes e pesquisadora da Universidade Estadual Paulista – Unesp, para a direção do espetáculo. Mário Francisco, estilista da marca DER METROPOL, que desfila sua coleção duas vezes por ano em São Paulo na semana de moda “Casa de Criadores” foi convidado para elaborar o figurino. O conceito definido tem inspiração na cultura gótica bem como na visualidade barroca dos filmes do cineasta norte americano Tim Burton.

Ilustração 1 – Croqui do figurino Visitador do Santo Ofício, por Lucas Devitte.

A trilha sonora foi exclusivamente composta para o espetáculo. Seu autor é o músico SMI, com diversos trabalhos na cena musical paulistana, e que também fez a execução ao vivo da trilha, ao piano em nossa estreia no Grande Auditório do MASP3. Nas apresentações na temporada no Teatro Santo Agostinho a trilha foi executada em off. Desenhado pelo cenógrafo Fábio Souza, e desenvolvido pela equipe, o cenário é composto por uma cruz imensa, com 4 metros de altura.


Ilustração 2 – Esboço para cenário.

Para esta montagem contamos com o seguinte elenco Ana Paula Kuller no papel de Branca Dias, Fernando Canindé como Padre Bernardo, Luiz Ribeiro interpreta Simão Dias, Roque Queiroz faz o papel do visitador do Santo Ofício, Rafael Piersanti representa o noivo Augusto Coutinho, Felipe Banhara e Diogo Jordão, atores iniciantes, fazem os guardas. Ademais, contamos com a participação especial de Nelson Galvão no papel do Notário em substituição ao ator Marcello Lagonegro.

Para completar a pesquisa a respeito de todo o complexo conteúdo abordado na peça de Dias Gomes, a equipe da OREN visitou a Companhia de Jesus no Páteo do Colégio na cidade de São Paulo e fez levantamento a respeito do período de Ditadura no Brasil.

Por último, realizou-se uma consultoria a respeito de cultura judaica com Felipe Martins Paros. O especialista foi consultado a pedido da diretora na busca de resposta para a seguinte pergunta: O que é um Judeu? E, por consequência: Quem é Branca Dias e vice verso. E, é a respeito desse aspecto que discorremos neste artigo.

O que é um Judeu?

Como coordenador de arte educação de um centro cultural judaico4, por força do ofício e também por um grande interesse pessoal, Felipe Paros está familiarizado com o universo israelita mesmo não sendo judeu. Por isso, sentiu-se apto (casher5) para responder a esta pergunta em sua forma exterior e mais evidente: a linha mais conservadora da tradição judaica, alicerçada por leituras e interpretações rabínicas deveras antigas, afirma que é judeu aquele que nasce de um ventre judaico.

Já para outras correntes mais atuais – não podemos esquecer que a personagem vive e morre a sua sina no século XVII – as condições para ser judeu são mais flexíveis: o ventre não obrigatoriamente precisa ser judaico, pois essa condição pode ser transmitida pelo pai, e uma identificação profunda com os valores judaicos seguida de um processo de conversão supervisionado por rabinos, é uma outra porta válida para a união com o povo de Israel.

Branca Dias nasceu de um ventre judaico? Não sabemos. O texto teatral de Dias Gomes nada fala de sua mãe. O que sabemos, pela boca da própria personagem, é que quando a mesma era criança, seu avô paterno lhe abençoava de uma maneira especial passando a mão direita do topo de sua cabeça até o final de seu queixo6, e que quando esse mesmo avô morreu, as pessoas de sua família vararam a madrugada comendo azeitonas, sendo que uma velha moeda foi colocada sobre os lábios do cadáver por pedido expresso do mesmo.

Mesmo sem entender, Branca esteve, portanto, envolvida nestas e em outras práticas “judaizantes”, que ela presenciou sem de fato compreender. Outros tantos costumes judaicos poderiam ser enumerados e descritos aqui, vividos pela personagem ou não, mas traduzidos por uma série de práticas apoiadas por objetos cerimoniais e que apontam para crenças fundamentais do Judaísmo. Muitos deles foram explicados por Felipe Paros aos atores e a encenadora a pedido dos mesmos.

Em determinado momento da peça, os inquisidores questionam a família Dias em relação ao costume de se guardar o sábado (em hebraico, Shabat), se eles tinham o hábito de acender uma mecha nova no lampião quando a noite de sexta-feira chegava, se tomavam banho e se enfeitavam por ocasião dessa mesma sexta-feira dando lugar ao sábado, e tantas outras coisas. Mas porque essa obsessão pelo sábado?

O Shabat (palavra que está na origem dos termos “sabá” e “sábado”) é o dia mais santo do calendário judaico, celebrado sempre que as primeiras estrelas aparecem no céu quando se inicia a noite de sexta-feira – o dia judaico tradicional começa quando o Sol se põe, e não quando ele nasce. Os judeus creem que nesse dia, o mesmo em que Deus descansou após a Criação do Mundo e do Homem, deve-se abdicar de qualquer atividade que possa trazer benefício material, guardando-se para a prática da espiritualidade.

Bençãos especiais são pronunciadas para o recebimento do Shabat: a mãe acende duas velas e atraindo para si as luzes com movimentos das mãos, recita uma benção que as meninas aprendem desde cedo. O pai abençoa o vinho e o pão (chamado de chalá) antes de distribuí-los aos presentes à mesa da família.

No Shabat, nem judeu nem gentio devem trabalhar, e mesmo nos tempos bíblicos os judeus eram instruídos a permitir que seus escravos estrangeiros descansassem em seu dia santo. É por isso que, para os modernos pensadores judaicos, esse princípio religioso é o início do que chamamos hoje de “direitos trabalhistas”, e está na base de toda ética judaica ao lado da crença em uma única divindade que não pode ser representada por imagens. É um princípio de justiça social com o qual Branca Dias com certeza se identificaria.

O pai de Branca, Simão Dias, em certo momento do texto, afirma categoricamente que o avô de Branca, seu pai, era um cristão novo que escapou de um histórico massacre ocorrido em Lisboa – era, portanto, um judeu convertido à força. Já o majestático Visitador do Santo Ofício, do alto de sua importância e ao devassar o lar da família Dias, encontra todas as evidências judaizantes que desejava encontrar, além de outras que não imaginava mas desejava igualmente encontrar – como uma Bíblia em português, item mais do que proibido em tempos nos quais a Igreja era a única mediadora autorizada das Escrituras Sagradas sempre redigidas em Latim. Mas como saber se de fato essas evidências são reais, uma vez que os inquisidores tinham como metodologia e procedimento enxergar evidências comprometedoras onde quer que “quisessem” ou “precisassem”?

Como já dito antes, mesmo sem entender direito, Branca esteve envolvida em práticas “judaizantes” que ela herdou sem de fato compreender. Provavelmente nem mesmo seu pai, cônscio de sua origem judaica, as compreendia ou mesmo continuava a praticá-las, e isso é mais comum do que se pensa no Brasil, terra de cristãos novos mas também de grande miscigenação: em tempos antigos, muitos judeus casaram-se com mulheres não judias, afastando-se assim de suas comunidades mas mantendo em casa costumes e práticas que não explicavam para seus familiares. Ou mesmo que explicassem: longe da orientação de rabinos ou outros judeus praticantes, esses familiares acabaram passando essas tradições sem uma fonte de fiscalização e controle, que com as décadas e séculos de repetição mecânica foram se desgastando, afastando-se de seu sentido original e subsistindo apenas com prática residual. Uma espécie de judaísmo residual que Branca viveu sem fazer a menor ideia.

Apesar disso tudo, Branca sabia ler, pois foi ensinada pelo seu amado noivo – o mesmo que lhe trouxe da Europa todo tipo de leitura “subversiva” – entre elas a malfadada Bíblia em português, uma das evidências incriminadoras elencadas pelos inquisidores em seu “santo inquérito”. Essa foi uma liberdade consentida por seu pai, convencido pelo noivo de sua filha que reconhecia nela um ser cuja inteligência ele tinha a obrigação iluminista de emancipar. Tivesse sido criada de fato como judia no século XVIII, em um ambiente religioso judaico, e provavelmente Branca não tivesse sido incentivada a tanto, assim como não o seria uma moça de fato católica – muito embora, mais de uma vez, Branca tenha se definido como tal.

Branca Dias se enquadrava de fato em alguma dessas categorias? Praticava de fato tais costumes? Compreendia qualquer coisa disso tudo? Insistimos: não sabemos, não podemos saber. Mas tudo indica que a resposta seja não. De qualquer maneira, a verdade é que atestar ou não o judaísmo de Branca Dias não nos aproxima de fato do âmago dessa heroica personagem que parece ser norteada por um tipo de ética intuitiva, simples, direta e não institucionalizada, mas que tem suas bases quase destruídas por modelos de comportamento altamente burocratizados e autoritários, representados na peça pelos tortuosos “ensinamentos” do padre Bernardo, em tudo o oposto de Branca: um indivíduo engolido por um sistema de regras impossíveis de serem seguidas a não ser pelo custo da verdadeira compaixão pelo próximo.

Para Felipe Paros, descobrir se Branca Dias é ou não judia não responde o sentido oculto posto nesta pergunta, e para ele só fica claro após assistir a um ensaio aberto promovido pela OREN no mês de Julho:

Porém, descobrir se Branca Dias é ou não judia não responde o sentido oculto desta pergunta, que só ficou claro para mim depois que assisti ao ensaio aberto do espetáculo “O Santo Inquérito”, recentemente colocado em pé de maneira vibrante pelo grupo comandado por Rosana Pimenta. De fato, a pergunta que o grupo queria responder desde o início era bem outra, mais fundamental e de resposta bem mais árdua: Quem é Branca Dias? (Felipe Paros por e-mail)

Afinal quem é Branca Dias?

Quem é Branca Dias é a pergunta se que faz, continuamente, pela encenadora. Com essa pergunta pretendia promover uma reflexão a respeito da montagem deste texto nos dias de hoje.

Verificar a procedência da protagonista favoreceria a coerência e inteligibilidade de suas ações. Mas, o questionamento a respeito de quem é Branca Dias extrapola o aspecto técnico da encenação e foi motivado porque não se pretendia fazer apologia a morte heroica da protagonista e sim questionar esse aspecto.

O texto de Dias Gomes apresenta Branca Dias como heroína, é certo que sua tragédia não é moralista, a protagonista morre, mas os ideais permanecem vivos. Vale ressaltar que nosso questionamento não tem a pretensão de discutir a qualidade artística da obra de Dias Gomes e sim apresentar que o texto está datado. O que questionamos é a necessidade de um redentor nos dias de hoje. O desejo da OREN era o de manter o texto na íntegra, por esse motivo, a saída encontrada pela encenadora para apresentar suas indagações foi não a de fazer cortes ou adaptações no texto, mas, investir na simbologia apresentada na interpretação e na visualidade criada pelos figurinos, iluminação, cenário, adereços, maquiagem, corporeidade e sonoridade.

Para compreender melhor essas inquietações vamos lembrar o contexto de redação dessa peça teatral que data de 1966, período de Ditadura no Brasil. É uma obra que apresenta, não por acaso, uma história em que a liberdade de pensamentos e o direito a expressá-los são severamente reprimidos.

Está ambientada no Brasil do Séc. XVIII e expõe o drama da personagem Branca Dias, neta de judeus, julgada por levantar suspeitas de heresia. E, da personagem Padre Bernardo, seu confessor, que motivado por uma perturbadora e inconsciente paixão leva a cabo este julgamento.

Dias Gomes que teve várias de suas peças censuradas no período de Ditadura no Brasil, apresenta em “O Santo Inquérito” o debate a respeito da Ditadura no Brasil de maneira velada e, ao mesmo tempo, bastante evidente.

Para tanto, utiliza como recurso o deslocamento temporal para o Séc. XVIII discutindo nas entrelinhas aspectos tais como o alinhamento entre Estado e Igreja Católica no período de Ditadura no Brasil.

Outro aspecto que permite relacionar diretamente o período de Ditadura no Brasil e a Inquisição é o fato de a missa ainda ser rezada em latim na década de 1970 – o que faz duvidar do interesse da Igreja em permitir que os fiéis compreendessem o que estava sendo dito na época. De modo que, quando o autor mostra que Branca Dias possui uma bíblia em linguagem vernácula na peça está apresentando um ponto de discussão bastante atual para o período de Ditadura. Além do que, a cena da visita do representante do Santo Ofício a casa dos Dias é uma cena de busca e apreensão de material subversivo – e nada mais subversivo do que livros.

O anacronismo favorecido pela dramaturgia de Dias Gomes dá espaço para questionar a intolerância, a perseguição, a opressão e o medo em qualquer tempo e lugar.

É importante ressaltar que no período no qual Dias Gomes escreve “O Santo Inquérito” ele está especialmente comprometido com a defesa da liberdade de expressão. Ele havia sido demitido da Rádio Nacional em 1964 por conta do Ato Institucional número 1 e estava ligado aos ideais comunistas. Não é necessário dizer que o autor apresenta, de maneira peculiar, grande preocupação com os aspectos sociais brasileiros em toda sua obra.

Para o crítico Yan Michalski o autor aspira uma sociedade justa e tolerante. De forma que a mensagem do texto é de bondade, lealdade e respeito humano.

O texto de Dias Gomes privilegia o conflito entre a pureza da protagonista, a sua boa fé e sinceridade, e aqueles que lhe deturpam essa forma de agir acusando-lhe de afrontar à ordem
estabelecida.

A pergunta da encenadora para o autor é quem seriam os pares de Branca? Estamos preparados para não deixarmos morrer o herói, mas construirmos na coletividade a vitória? Na esperança de que possamos transcender a necessidade de heróis que apresentamos nossa Branca mais débil e confusa do que desafiadora. Sua fragilidade não permite desafiar seu destino. Estamos apresentando uma menina que é acusada sem saber o motivo e que é levada a acreditar que tem culpa.

É verdade que ela não abre mão de suas convicções, mas está literalmente posta de cabeça pra baixo com a cabeça a prêmio para a plateia na boca de cena.

Ela está tão perturbada quanto qualquer um de nós na pós-modernidade que confusos não sabemos para onde correr. O que provavelmente acontece porque não temos mais o referencial do herói e nossa tragédia é ignorar que não necessitamos deles.

Por esse motivo, a personagem de Padre Bernardo aparece em nossa encenação como portador de uma lógica própria, a lógica de seus interesses pessoais para o momento.

A ambiguidade de seu caráter fica evidente na própria visualidade das cenas em momentos como a cena que denominamos Rainha de Sabá ou Cena dos espelhos. No referido diálogo, que está localizado mais ao final do primeiro ato, Branca Dias, apresenta-se confusa e Padre Bernardo professoral, didático, compreensivo e enérgico demonstrando-se disposto a salvá-la.

Nessa cena as personagens deslocam-se pelo palco como que manipulados, de maneira a desencontrarem-se e quase não cruzam o olhar, a não ser por um instante, quando a personagem de Padre Bernardo tenta puxar Branca Dias para sua metade do palco. E isso se dá pela movimentação e interpretação dos atores não que materializa a palavra. Cada qual servindo ao seu lado do sistema, enredados ambos, quase que sem capacidade de decidirem seus destinos.

Nesse sentido, nossa encenação é irônica e desconfia do que está sendo dito, nossa Branca não grita desesperadamente quando recebe a notícia da morte de Augusto no segundo ato, mas faz com que tenhamos vontade de gritar ou de ouvi-la gritar. E por qual motivo não gritamos? Até quando vamos nos calar?

Esperamos que ao final da encenação o espectador fique com a sensação de que alguma coisa está fora do lugar e que se sinta convidado a encenar de outra forma este texto. Afinal, quem é Branca Dias? Quem somos nós?

 

Notas:

1 Mestre em Artes pelo Instituto de Artes da Unesp e Coordenador de Arte-educação do Centro da Cultura Judaica.
2 Professora, diretora teatral e atriz é graduada em Educação Artística com habilitação em Artes Cênicas (2001) e Mestre em Artes (2008) pelo Instituto de Artes da Unesp.
3 Museu de Arte de São Paulo.
4 A saber, o Centro da Cultura Judaica, antigamente conhecido como Casa de Cultura de Israel, localizado na Rua Oscar Freire, no bairro do Sumaré.
5 Casher, em hebraico, significa “apto”. Refere-se a uma série de regras e práticas baseadas na Torá, relacionadas com pureza e impureza ritual. Diversos alimentos são considerados não-casher, e mesmo os que são, só o serão completamente se forem preparados de maneira chasher. Por extensão, diz-se que alguém é ou não casher quando “presta” ou não para alguma coisa.
6 Essa é uma descrição sumária do que se conhece com a “Benção das Crianças”.

 

Bibliografia:
DIAS GOMES, Alfredo de Freitas. 2001, O Santo Inquérito. Rio de Janeiro, Bertrand Brasil, 19ª Ed.

Sites na Internet

Consulta em 19/05/2010
http://www.academia.org.br/abl/cgi/cgilua.exe/sys/start.htm?infoid=448&sid=231&tpl…Consulta
Consulta em 19/05/2010
http://www.espacoacademico.com.br/061/61silva.htm

 

(1) Doutorando do Programa Interdisciplinar Educação, Arte e História da Cultura da Universidade Presbiteriana Mackenzie. Mestre em Artes Visuais pelo Instituto de Artes da Unesp e membro da Associação Internacional de Críticos de Arte (AICA – Seção Brasil).

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